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A Duquesa e o Gato ♠

"I'm worse at what I do best." ☆

O número 21 - Memórias #2

Devo dizer que não, não é por causa do Nuno Gomes. Embora tenha sido (e seja!) um dos meus ídolos de sempre, o número 21 não o poderei associar prioritariamente a ele. Há algo mais. Muito mais!

Bem, vamos começar pelo principio? 

Lembrei-me de escrever este post porque, no Domingo, eu e o gajo fomos dar uma volta de mota e, na zona de Fátima, tivemos de estar uns minutos parados... Esses minutos colocaram-me o coração desfeito! Ao olhar para o lado vejo um cemitério e um senhor, já na casa dos seus 90 anos, encostado a um jazigo. A sua bengala na mão esquerda, a sua mão direita no peito (como se a pedir para o coração parar de doer) e a sua cara de sofrimento por onde as lágrimas lhe corriam, denunciavam um sofrimento atroz de quem perdeu algum filho ou o amor da sua vida e que, neste domingo quente, o veio "visitar".E como me fez doer a alma! Fez-me recordar da única vez que vi o meu avô chorar. Só vi o meu avô chorar à entrada do cemitério, quando fomos deixar a minha avó... Só e apenas! As lágrimas de quem foi deixar ali, naquele lugar frio, o amor de há quase 50 anos. As lágrimas de quem teve de se despedir da sua companhia diária, da mãe dos seus filhos, da vida que conhecia...

Os últimos 30 anos da vida deles, foi vivida no número 21. Foi igualmente no número 21 que eu me tornei eu! Foi lá que nasci, fui educada, que criei as melhores memórias da minha infância... Foi lá que vivi os primeiros anos da minha vida e que continuei a ir vivendo-  fosse nos meus fins-de-semana a dormir em casa dos avós, nos feriados, ou nas minhas férias que eram todas passadas no carinho do cantinho dos meus segundos pais. Mesmo nos Invernos frios, adorava lá ficar no aconchego da lareira da sala e do calor do carinho deles... e fui feliz no número 21, ali no bêco mais fantástico do mundo!

A casa do número 21 está fechada. Não tem sido muito aberta desde que eles se foram...Torna-se doloroso de cada vez que lá temos de ir arejar e limpar.

Não tem ninguém agora. Está ás escuras e, de certa forma, "abandonada".  (Claro que nunca será abandonada por quem lá foi feliz.)

Mas, posso dizer que continuarei sempre a viver no número 21 e o número 21 continuará a viver sempre comigo.

O amor é assim...