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A Duquesa e o Gato ♠

"I'm worse at what I do best." ☆

Quase nos 30 e ainda não sei quem sou.

Quando era pequena queria ser estilista... hoje em dia não sei distinguir tecidos nem cores! Passei por uma fase em que queria também tornar-me professora de música mas fiquei-me por tocar e cantar no coro da igreja até aos meus 16 anos.Quis igualmente ser veterinária, mas o meu medo de répteis e pouca tolerância a sangue roubaram-me esse desejo.

Já maiorzinha quis ser psicóloga mas a doença tirou-me essas ideias da cabeça. 

Sempre sonhei ser mãe antes dos 25 anos, já tenho quase 30. Queria ficar com o meu primeiro amor para o resto da minha vida, tive um desgosto daqueles feios e cá estou eu sem ser com o primeiro. Queria casar e ter filhos e vejo-me com quase 30 e sem nada disso. Queria ter uma carreira consolidada e estou desempregada. 

 

E o que alcancei? Até agora, várias otites e amigdalites, uma anoréxia, uma asma, uma hérnia no hiatos, uns desgostos de amor pelo caminho, alcancei o desemprego por várias vezes, fui enganada outras tantas e ficaram a dever-me dinheiro, entre outras coisas. Consegui alcançar algumas, portanto. Já não perdi tudo! 

 

Confesso que isto às vezes me faz ter dúvidas sobre quem sou e que raio pretendi eu da minha vida, quais os caminhos que segui e o que fiz de errado. Não consegui concretizar nada do que sonhei, nem nada do que pensei ser real o era. Também fui enganada tantas vezes que já lhes perdi a conta. Com quase 30 anos vejo-me sem sonhos e sem objectivos de vida. Parei no tempo e, por vezes, ainda me sinto uma miuda de 16 anos que não sabe para que lado se virar e " o que quer ser quando for grande".

Continuo aqui, sem saber que caminho seguir. Sem ter os meus sonhos comigo. Sem realizar nada do que sonhei... E é nestes dias que não sei ainda quem sou. 

Ela não sou eu!

Bem, já tinha comentado com a Psicogata (há semanas atrás) que me tinha acontecido algo deste género...

Isto aconteceu por volta do ano de 2009 (penso eu). Andei um tempo a ouvir indirectas (algumas até demasiado directas!) sem perceber patavina do que estaria a acontecer. E aqui foi quando tentei finalmente perceber que porra se andava a passar com as pessoas!

Já há uns 4 ou 5 anos, um ex-namorado tinha se chateado comigo porque disse que me viu no shopping, a sair da Parfois e que lhe virei as costas e "fugi". Para ser sincera, não me recordava de ter estado no shopping e muito menos teria fugido dele! (Se bem que hoje gostaria de ter tido alguma esperteza para ter feito tal proeza!)

Situação ultrapassada e esquecida depois de uns arrufos.

Em 2009 as coisas tornaram-se demasiado estranhas. Os meus amigos vinham ter comigo chateados ou viravam-me a cara, demasiadas vezes para o meu gosto, e diziam algo como : "Para a próxima não finjas que não nos vês!" (por norma usavam asneiras, eu aligeirei a coisa!). Comecei a ficar preocupada. Sempre fui uma despassarada e seria bem possível que eu não visse as pessoas, mas não tantas vezes... E pior, não me recordava de estar nos locais onde eles diziam que me viram! Um dia chamei um desses amigos de parte e perguntei-lhe o que se passava pois ele não me falava. A resposta deixou-me incrédula:

J: "Vânia, tu estás a trabalhar na Sportzone, não nos dizes nada e ainda foges de nós! Finges sempre que não nos conheces... Já te vimos no shopping algumas vezes e tu nem olhas para nós. O V está bastante magoado contigo...e nós também. Não parece de ti. Que se anda a passar contigo?! Tens vergonha de nós?" (algo deste género!)

EEEEEEEU?! Mas eu estava a trabalhar num sitio onde não sabia que trabalhava? Sim, porque o não olhar para as pessoas é mesmo de mim, mas é porque não as vejo mesmo... Mas estar a trabalhar e não me lembrar?!

(Já agora, o V era o meu "amigo às cores" na altura. )

Vocês sabem a sensação de estarem completamente em outro mundo? Em que NADA faz sentido? Em que te questionas de ti mesma? Da tua sanidade mental? (Eu tinha perdido a minha avó no ano anterior e confesso que duvidei da minha cabeça...Juro! Nada fazia sentido e chegava a pensar se seria eu que não estava bem.)

O pior é que eles nem acreditavam em mim porque ME tinham visto com os próprios olhos... Euzinha, que sou menina para fazer uma festa na rua cada vez que encontro alguém conhecido, ia ignorar assim as pessoas? EEEEU?! Será que andava a tomar alguma medicação que me estivesse a fazer MUITO mal?

Num dia, antes de jantar com o J, o  V e outros amigos, quis ir à Sportzone ver as promoções... Quando só os vejo a rir e a olhar para mim e outra rapariga...

V: "Tu estás ali!" - E riam sem que eu percebesse nada de nada.

Segundo eles, a funcionária da Sportzone era igual a mim. Ou eu igual a ela! E trabalhou na Parfois há uns anos atrás, segundo um colega dela que era amigo deles. Mas, honestamente? Não nos acho NADA parecidas... (a sério, a rapariga até é bem mais bonita do que eu!) 

O  que acho grave é que o meu ex-namorado tenha achado isso e o meu ex-amigo colorido também! Homens... 

 

Ps.: Levei lá o meu dito cujo pouco tempo depois de começarmos a namorar e perguntei se nos achava parecidas. Ouvi isto:

"O quê? Não. Ela é mais alta, têm sinais em locais diferentes, os narizes não têm nada a ver..a cor do cabelo..."  Ufa!

Eu, Vânia, me confesso...

... Confesso que me estava a tornar numa pessoa fria. A vida assim o fez para que tal me acontecesse. Entre decepções amorosas, a anorexia, o facto de ser gozada na escola, mortes de amigos e familiares, desemprego e a saúde dos meus pais, foi a única coisa que se arranjou... frieza!

Confesso que estava a ficar farta da vida.

Estava farta de mim mesma! Farta de estar comigo todos os minutos... Farta de ajudar os outros e desses depois me deixarem na mão. Farta que se aproveitassem de mim e deu eu deixar... Confesso que pensei que me iria tornar gelo. Tive medo. Nunca me queria tornar numa pessoa fria e sem sentimentos. Não gostava de pessoas assim! Deixei de me rir com as coisas que me deixavam à gargalhada. Deixei de dar abraços (eu que passava a vida a abraçar toda a gente). Deixei de ter vontade de estar com outras pessoas...Deixei de me preocupar com elas. Deixei de ser eu!

Confesso que, por momentos, me tornei numa pessoa de quem não gosto. 

Hoje, sei que sou uma pessoa muito dada, como sempre fui, mas sinto dificuldade em aceitar ser assim. E se já não sou o que era, devo-o a algumas pedras que apanhei pelo caminho. Não sou fria. Não o quero ser. Mas um pouco de mim perdeu-se pelo caminho... 

Pensamentos

Hoje dei por mim em pensamentos.

Pensei nos "e ses", nos "porquês", nos "comos"..Pensei em tudo o que fiz, no que deixei para fazer e no que poderia ser feito...Pensei no Passado, no Presente e no Futuro... Pensei nos meus erros e nas minhas escolhas acertadas.

Talvez devesse ter feito mais. Talvez não! Sei que tudo o que passei, passo e passarei é o que me permite ser eu... E eu gosto tanto ser Eu!

Tenho os meus defeitos, mas sei que tenho as minhas qualidades! Se magoei alguém, foi sem intenções e isso é o que me chega para gostar de ser Eu mesma. E quem sou Eu? Uma rapariga já mulher...

Jamais deixaria de ser Eu. Este Eu que tanta gente ajudou a criar...Este Eu que tem um bocadinho de cada pessoa que me fez bem.  Talvez Eu seja isso mesmo, uma criação de quem gosta de mim. 

 

 

 

Sou aquela que chora quando alguém morre ou adoece num filme...

Sou aquela que gosta de conduzir de noite á chuva...

Sou aquela que vive de boas recordações...

Sou aquela que gosta de animais, música, pintura, cozinha, tricot, etc...

Sou aquela que, aos 25 anos, ainda vê desenhos animados...

Sou uma menina ao brincar com crianças...

Sou  uma mulher quando se fala de sentimentos...

Sou aquela que veste calças largas e t-shir...

Mas também sou aquela que sabe ser sensual...

Choro, Rio, Grito, Silencio-me...

Não sou Perfeita...Mas gosto tanto de ser Imperfeita! :) 




Beijinhos princesas... ***