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A Duquesa e o Gato ♠

"I'm worse at what I do best." ☆

No Domingo poderia ter sido eu a filha da p%$# que partilham no facebook...

Sim, no Domingo poderia ter sido eu! Poderia ser eu a filha da p#$% (como lhes chamam) a quem toda a gente deseja a morte no facebook. Poderia ser eu a ser chamada de mil e uma coisas...Eu e os meus! 

Eram 10 da manhã, já depois de ter passado por inúmeros ciclistas enquanto ia para o trabalho, numa estrada em que só tenho de andar a direito sem cortar para lado nenhum. Não sou de andar rápido, desvio-me bastante dos ciclistas e dos "motards" nas ultrapassagens e confesso que tenho um medo desgraçado de ultrapassar gente em bicicletas e motas... Estava quase a chegar ao restaurante (faltava 1km), quando se atravessam 3 ciclistas à minha frente, vindos de outra estrada (tendo stop!). Só tive tempo de dar uma "guinada" no volante e desejar não perder o controlo do carro pois estava numa zona de acidentes e tinha tido o acidente de mota há exactamente 1 ano e 1 dia atrás... Confesso que não estava com grande vontade de ser enfiada num hospital nem estava com estômago para andar a ser ameaçada pelo facebook! 

Já uma vez falei aqui no blog desta moda de andar de bicicleta (aqui) e, mais do que nunca, essa opinião mantém-se. Volto a repetir : nem sempre o culpado é quem anda no veiculo motorizado! E, este domingo, poderia ter sido eu a atropelar algum ciclista (e a "esbardalhar-me toda também). E sabem o que aconteceria? A culpada seria sempre eu mesmo não tendo tido culpa alguma! Era eu quem seria humilhada, chamada de "assassina", chamada de "irresponsável", seria eu que "não saberia andar na estrada", "Que não tinha coração", seria eu "que deveria de ter sido albarroada", e coisas do género. E porquê? Porque os meninos tinham tanta pressa que não souberam parar no sinal nem respeitar a entrada em outra estrada... E a culpa? Era minha!

Um acidente é azar? Mais azar é...

... ser um dos teus amigos de infância que te faz ir ao chão!

Vínhamos a chegar a casa de mota, num dia quente de Agosto (que bom, o alcatrão estava quentinho e não tínhamos casacos nem luvas!), quando somos albarroados por um carro que me bate na perna e nos deita ao chão.Recordo-me de ouvir o MK dizer uma asneira e um tranquilizante "Já fomos"!

Nem me apercebi de nada até ir ao chão. Senti-nos a deslizar mas não senti dor, não senti nada. No chão, com a mota em cima da minha perna, olho para a frente e vejo-o agarrado à mota. Abana a cabeça. Ele está bem!

Sinto a perna pesada, não a mexo e grito para que me tirem a mota de cima. O pobre do meu namorado levanta-se a correr e é ele quem levanta a mota. Ouço uma voz familiar que me diz: "Levante-se minha senhora. Está tudo bem. Vocês vieram contra mim!" (Eu levei com um carro na perna e eu é que fui contra ele?! Ok, abelha. e ainda me chama de "senhora"?) Olho e vejo um dos meus amigos de infância. Porra! Foi um dos meus amigos que nos bateu! Qual a porra da probabilidade disto acontecer?

 

E querem uma novidade? Não admitiu a culpa. Nunca me perguntou como eu estava. Nunca pediu desculpa. Nada! Ainda nos dificultou a vida... A policia declarou-o culpado, o seguro declarou-o culpado a 100% e tivemos testemunhas. Uma delas, um senhor que nos disse que, só por acaso mudou de direcção, pois, num dia normal, seria ele a estar no chão e não nós. Fez questão de testemunhar! Mais coincidências? O senhor da mota, nossa testemunha, mora nos prédios perto de nós!

Quando me sentaram,comecei a sentir as dores, o ardor no braço e perna e a ver o sangue...

Tivemos amigos que nos viram e pararam. Um deles tirou fotos a tudo (é advogado, sabia o que fazer).

Como é que se conta a uma mãe com problemas cardíacos e a um pai com cancro que a filha teve um acidente? Espera-se até sair do hospital. Pensei eu. 

No caminho para o hospital amigos telefonavam porque nos viram entrar na ambulância.Outros já estavam no hospital à nossa espera... Meio mundo viu o acidente. Agora é que tinha mesmo de contar aos meus pais que estava no hospital porque já toda a gente sabia. Telefonei à minha irmã. Devo dizer que, além de estar toda lixada, andei com a minha mãe chateada comigo durante dias porque "foi a última a saber que a filha teve um acidente!"

Para melhorar a coisa, a mota só tinha 4 meses!

O tal amigo (das fotos) ficou com a mota e as nossas coisas e quando nos ia entregar os capacetes disse que quando viu o meu temeu por mim.. Realmente, como é possível ficar em tão mau estado? Íamos devagar... Pronto, levei com um carro à bruta em cima de mim. Deve ser normal! 

E sabem uma coisa? Andei 2 meses com dores nas costelas, uma perna super negra e dorida, com feridas do alcatrão (uma delas bem feia) e fiquei sem um amigo de infância. 

Há acidentes em que se consegue ter ainda mais azar do que só o acidente em si...