Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

A Duquesa e o Gato ♠

"I'm worse at what I do best." ☆

Há dias em que um título não chega...

FB_IMG_1469560171596.jpg

É raro conhecermos pessoas como o Fernandito. Mas é tão bom quando os conhecemos!

Conheci o Feh em 2009 no bar onde trabalhei. Não era pessoa de grandes palavras e não dava confiança ás primeiras... Demoramos um tempo até termos a confiança dele (e foi uma fase tão engraçada!). Mas, sem dúvida alguma que o Fena era das pessoas mais carismáticas, honestas, humildes e educadas que já conheci. Mesmo quando bebia o seu copo a mais...se calmo era, calmo se mantinha! Nunca perdia a educação que tinha. 

Nunca o ouvi falar mal de alguém, e também nunca ouvi uma palavra negativa a seu respeito. Isso diz muito...

Ainda estamos todos em choque. É difícil perder alguém, claro que é. Mas alguém com 34 anos, acabados de fazer, perder a vida, é injusto, é revoltante! 

Até um dia, Fernandito. Um dia encontramos-nos por aí.

Não tenho mais palavras... não consigo!

O meu ''Beach-book''...

Se há coisa que me relaxa imenso é estar esparramada na areia, junto ao mar a ler. Adoro esta sensação! Acreditem que passo o ano inteiro à espera disto... E preciso desesperadamente de paz!

Como a malta por aqui gosta de ler, eu quero pedir-vos umas dicas para o meu próximo ''beach-book''! (Sou viciada em Agatha Christie e gosto bastante de livros que joguem com a mente e de livros humorísticos-confesso que me rio feita parva.)

Então, sugestões?

 

A vida ensinou-me

"A vida ensinou-me...

A dizer adeus às pessoas que amo, sem tirá-las do meu coração;

Sorrir às pessoas que não gostam de mim, Para mostrá-las que sou diferente do que elas pensam;

Fazer de conta que tudo está bem quando isso não é verdade, para que eu possa acreditar que tudo vai mudar;

Calar-me para ouvir; aprender com meus erros. Afinal eu posso ser sempre melhor.

A lutar contra as injustiças; sorrir quando o que mais desejo é gritar todas as minhas dores para o mundo.

A ser forte quando os que amo estão com problemas; Ser carinhoso com todos que precisam do meu carinho;

Ouvir a todos que só precisam desabafar; Amar aos que me machucam ou querem fazer de mim depósito de suas frustrações e desafetos;

Perdoar incondicionalmente, pois já precisei desse perdão;

Amar incondicionalmente, pois também preciso desse amor;

A alegrar a quem precisa;

A pedir perdão;

A sonhar acordado;

A acordar para a realidade (sempre que fosse necessário);

A aproveitar cada instante de felicidade;

A chorar de saudade sem vergonha de demonstrar;

Me ensinou a ter olhos para "ver e ouvir estrelas", embora nem sempre consiga entendê-las;

A ver o encanto do pôr-do-sol;

A sentir a dor do adeus e do que se acaba, sempre lutando para preservar tudo o que é importante para a felicidade do meu ser;

A abrir minhas janelas para o amor;

A não temer o futuro;

Me ensinou e está me ensinando a aproveitar o presente, como um presente que da vida recebi, e usá-lo como um diamante que eu mesmo tenha que lapidar, lhe dando forma da maneira que eu escolher."

Charles Chaplin

Carta aos meus amigos

FB_IMG_1465366803750.jpg

A amizade sempre foi algo que me sustentou na vida. Posso dizer que, na doença, foram indispensáveis. Assim como o são todos os dias! Tive a sorte de ter encontrado gente na minha vida que foram verdadeiros anjos e a quem estarei eternamente agradecida.

 

Já conhecia este texto de Vinícius de Moraes, adaptado. E acho maravilhoso. Deixo-vos com ele .

 

‘‘Meu amigo, se eu morrer antes de ti, faz-me um favor:

Chora o quanto quiseres mas não te revoltes por Deus me ter levado. Se quiseres não chorar,não chores. Se não conseguires chorar, não te preocupes. Se tiveres vontade de rir, ri. Se alguns amigos meus contarem alguma coisa a meu respeito, ouve e acrescenta a tua versão, porque tu sabes de tudo melhor que ninguém. Se me elogiarem demais, corrige o exagero. Se me criticarem demais, defende-me. Se quiserem fazer de mim uma santa só porque morri, mostra que eu tinha um pouco de santa, mas estava longe de ser a santa que pensam. Se me quiserem fazer um demónio, mostra que eu talvez tivesse um pouco de demónio, mas que na vida inteira, eu tentei ser uma boa amiga.

Se tiveres vontade de escrever/dizer alguma coisa sobre mim, apenas uma frase chega: " - Eu era o melhor amigo dela, ela confiava em mim e amava-me como um irmão de verdade " - Ai então, derrama uma lágrima. Sei que não estarei presente para enxuga-la, mas não faz mal. Outros amigos farão isso no meu lugar. E, vendo-me bem substituida, irei tratar da minha nova tarefa no céu.

De vez em quando, da uma espreitadela na direcçao do céu; tu não me veras, mas eu ficaria muito feliz vendo-te olhar para ele.

Amizade só faz sentido se traz o céu para mais perto da gente, e se inaugura aqui mesmo o seu começo. Eu não vou estranhar o céu. . . Sabe por que? Porque... Ser seu amigo já é um pedaço dele! ''

Nunca me vou esquecer de ti .''

 

Vinícius de Moraes

O número 21 - Memórias #2

Devo dizer que não, não é por causa do Nuno Gomes. Embora tenha sido (e seja!) um dos meus ídolos de sempre, o número 21 não o poderei associar prioritariamente a ele. Há algo mais. Muito mais!

Bem, vamos começar pelo principio? 

Lembrei-me de escrever este post porque, no Domingo, eu e o gajo fomos dar uma volta de mota e, na zona de Fátima, tivemos de estar uns minutos parados... Esses minutos colocaram-me o coração desfeito! Ao olhar para o lado vejo um cemitério e um senhor, já na casa dos seus 90 anos, encostado a um jazigo. A sua bengala na mão esquerda, a sua mão direita no peito (como se a pedir para o coração parar de doer) e a sua cara de sofrimento por onde as lágrimas lhe corriam, denunciavam um sofrimento atroz de quem perdeu algum filho ou o amor da sua vida e que, neste domingo quente, o veio "visitar".E como me fez doer a alma! Fez-me recordar da única vez que vi o meu avô chorar. Só vi o meu avô chorar à entrada do cemitério, quando fomos deixar a minha avó... Só e apenas! As lágrimas de quem foi deixar ali, naquele lugar frio, o amor de há quase 50 anos. As lágrimas de quem teve de se despedir da sua companhia diária, da mãe dos seus filhos, da vida que conhecia...

Os últimos 30 anos da vida deles, foi vivida no número 21. Foi igualmente no número 21 que eu me tornei eu! Foi lá que nasci, fui educada, que criei as melhores memórias da minha infância... Foi lá que vivi os primeiros anos da minha vida e que continuei a ir vivendo-  fosse nos meus fins-de-semana a dormir em casa dos avós, nos feriados, ou nas minhas férias que eram todas passadas no carinho do cantinho dos meus segundos pais. Mesmo nos Invernos frios, adorava lá ficar no aconchego da lareira da sala e do calor do carinho deles... e fui feliz no número 21, ali no bêco mais fantástico do mundo!

A casa do número 21 está fechada. Não tem sido muito aberta desde que eles se foram...Torna-se doloroso de cada vez que lá temos de ir arejar e limpar.

Não tem ninguém agora. Está ás escuras e, de certa forma, "abandonada".  (Claro que nunca será abandonada por quem lá foi feliz.)

Mas, posso dizer que continuarei sempre a viver no número 21 e o número 21 continuará a viver sempre comigo.

O amor é assim...