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A Duquesa e o Gato ♠

"I'm worse at what I do best." ☆

Carta aos meus

Avós, Padrinho...

Eu estou bem. Na medida do possível, segui a minha vida sem a vossa presença física. Estou bem. Ou pelo menos tento estar. Todos os dias me fazem falta. Mesmo que nem falasse com vocês todos os dias - ás vezes nem todas as semanas. Embora a simples ideia de saber que estavam ali era reconfortante. 

A avó não iria achar muita piada a algumas transformações que tive na vida, provavelmente tinha levado as mãos à cabeça algumas vezes. Além de fumar, pintei o cabelo de vermelho (sim, aquela fase das mulheres do "red hair"), emagreci bastante (já imaginei o filme que faria e as lágrimas que viriam daí), fiz tatuagens (Ai, isto dava-lhe uma coisinha má!) e estou a trabalhar num café desde que me separei (Pois...). Mas sei que ias ficar contente de saber que arregacei as mangas e lutei sempre por mim! Que tive garra e levantei-me. 

Em relação ao avô e ao padrinho, sei que ficariam contentes por saberem que - pelo menos- me mantenho fiel ao nosso clube. E meus Capelas, o nosso Benfica tem-se safado bem! E quando comemoro, recordo-me SEMPRE (e primeiramente) de vocês. Eu sempre disse que um dia queria juntar os meus Homens e levá-los à Luz. Nunca imaginei foi que o tempo fosse tão curto e que vocês tivessem um lugar privilegiado para ver os jogos. Aposto que o avô já conheceu o Pantera! Aquele Homem tinha capacidade de ser interessante mesmo até quando era repetitivo. E tenho a certeza de que o Padrinho sorriu, de bochechas vermelhas, e mandou uma das suas piadolas para o ar. A avó abanou a cabeça e chamou-vos tontos. E algum de vocês lhe mandou uma palmadinha que lhe acertou mesmo num sitio que lhe doía. Sim, que vocês, na vossa inocência em jeito de brincadeira, conseguiam SEMPRE adivinhar que local me doia para me darem uma palmadinha. Tenho saudades dessas palmadinhas do grito da Mari Purfica : "A rapariga está aleijada aí!".

Tenho saudades vossas. Recordo-vos tanto. 

 

Uma duquesa quase perde a compostura!

Empregada de mesa\balcão tem sempre de recorrer a uma postura que, muitas vezes, nem é a que se encontra disponível para exercer... Ultimamente, tenho andado de sorriso amarelo! Entre bebedeiras, gente chata, gente sem saber estar e maltinha apressada, a vontade de mandar um gritinho e pedir-encarecidamente-que determinadas pessoas se desloquem, voluntariamente, a um "certo sitio" é uma constante.  Eu tinha prometido a mim mesma que este seria um trabalho temporário. E cá estou eu. Três anos depois. A chamar esta gente de "família" e a custar cortar as amarras. Mas, a paciência não é mais a mesma. Ter clientes a comentarem sobre o nosso rabo transcende-me. Ter clientes a tentar ser atendidos à frente de outras 5 pessoas irrita-me. Ter clientes que julgam que somos escravas deles provoca-me urticária. Ter clientes que exigem que estejamos mais 2 horas a trabalhar para eles beberem uma cervejinha aquece-me o cérebro. Baterem com a moedinha no balcão enquanto não são atendidos começa-me a dar vontade de lhes arrancar a mão e ficar com a moeda (eu sou pobre, sim? E na prisão 1euro deve de me dar jeito). Berrarem ao fazer pedidos enquanto estou a atender outras pessoas provoca-me uma azia que me apetece colocar o avental no balcão e gritar que não sou Deus, enquanto peço ao Criador que perca os moldes destes clientes na casa de Lúcifer depois de um dia de jogo e bejecas. Atirarem as cascas dos amendoins para o chão faz-me imaginar a pegar nas cabecinhas dessa gente e enfiá-las no chão enquanto limpam as migalhinhas uma a uma (só para as verem bem!). Ver que nem acertam no urinol... Bem, esse nem vou comentar! Iriam pensar que estou a tornar-me numa psicopata. Ou será que estou?

A única coisa que me aquece a alma é poder beber um cafézinho quando me apetece e ter os mimos das minhas velhotas quando faço as manhãs... Que Deus as conserve muitos anos que eu ainda preciso delas para não assassinar ninguém! 

A Duquesa anda no ginásio.

20190818_171745.jpgTendo a vida virada de pernas para o ar, mais vale que sejam musculadas e bronzeadonas... Como tal, além de andar a correr e fingir que pedalo, fui inscrever-me no ginásio há umas 3 semanas. Como o PT supostamente era um amigo meu, foi a Vânia bem mais descansadita... até abrir a porta e dar de caras com uma pessoa totalmente diferente e saber que o meu amigo iria estar duas semanas de férias. Não, eu não sou nenhuma anti-social, apenas sou meio envergonhada inicialmente ( inicialmente). E, admito que o rapaz ainda por cima é giro...  Ou seja, ando no ginásio, all by myself  e a fingir que sei o que ando a fazer para não parecer muito mal perante o Deus-Quase-Grego.

Agora, além de velha e cansada, ando dorida, armada em fit e estupida. Deverá ser mesmo uma crise de 1\3 de idade!

Oras, boa noite... bom dia... ou boa tarde!

Tenho andado ausente daqui há tanto tempo que já nem sei mexer nisto e me sinto uma velha raquítica a experimentar um telémovel touchscreen pela primeira vez.  Sim, vim ao blog porque estou numa crise dos pós 30. Agora vou dormir porque sou uma senhora de 31 anos e tenho de começar a treinar para varrer a calçada ás 6 da manhã. 

Um beijo.

Vih*

Quando o coração nos falta...

Amanhã faz uma década, minha velha! Uma década! Como foste capaz de me deixar há 10 anos? Não sabias que eu precisava de ti? Tens noção do avesso em que ficaram as nossas vidas a partir daí? Fazes-me falta todos os dias... Vocês fazem-nos falta! Nunca mais ninguém me passou a mão na cabeça depois de fazer asneira. Nunca mais ninguém ralhou com o tio por ele comer mais de metade dos doces e só deixar um bocadinho para mim (oh Vó, ele continua a comer doces que nem uma larva!). Nunca mais ninguém me telefonou a perguntar se almocei e se comi tudo

Onde andas? E onde andam os meus Capelas? Aquele 21 faz-me falta! 

Uma carta ao meu primeiro amor

Já tive para publicar isto há algum tempo atrás... Mas achei que seria estranho. Hoje em dia, quero lá saber se será estranho, se faz comichão, se faz doer a alma, se dá para fazer o pino! Sou eu. Faz parte de quem sou. Fez, faz e fará parte de mim.

 

"Amei-te embora não soubesse. Sim, amei-te. Não se gosta somente de alguém que, quase, vinte anos depois ainda se mantém guardado a 7 chaves no peito (dizem que é no lado esquerdo, mas sei lá!). Dizem que uma paixão dura seis meses. E quase duas décadas não são seis meses. Também dizem, os velhos (raios partam os velhos!), que um grande amor nunca se esquece. E passo quase todas as manhãs a ouvir isto...quando me contam histórias de amor vencidas em que se casaram com o amor da vida deles, quando me contam das amarguras dos amores deixados no passado e que, ainda hoje, lhes faz moça no coração. Tanta vez me pergunto a mim mesma, se serei eu um dia, num banco de café, a contar à empregada de balcão sobre ti. Raios, será que vou falar de ti quando estiver uma velha "caquética"?! Deverias de achar uma piada imensa...imagino!

Mas, se um dia for essa velhinha no banco do café, espero que não o fale por mágoa, arrependimento, tristeza... Se bem que é impossível alguma vez falar de ti estando triste. A tua recordação sempre me trouxe um sorriso e, sei de certeza-certezinha, que independentemente do futuro, falarei de ti sempre com um sorriso nos lábios e outro no peito."

 

Et voilá!